11 de maio de 2011

Felismino Homem dos Campos (WIP)

Felismino Homem dos Campos é um tipo cheio de contradições. O dia em que nasceu fez-se noite duas vezes e sabe que no dia em que morrer o sol se apagará para sempre.
Felismino nunca foi feliz, nem sabe se ao mudar o nome o será; certo é que desde novo foi chamado "o agricultor" sem nunca ter visto o campo.
Passa as tardes nos cafés da baixa, estilo nouveau-chic de óculos encafuados no nariz, em pose de análise, verificando as moças que atravessam a praça com o rio em vista. Come moelas e caracóis, bebendo um ou dois finos, diletante desocupado, bem vestido e desempregado.
Felismino não é um homem qualquer. Na sobriedade do pós almoço, na qualidade daqueles que vão dormitando para o trabalho, ele, revigorado após a noite da socialite mais ou menos pelintra das revistas cor de rosa, impõe-se na cadeira com o figurão de general, ainda não tanto entradote, que todos querem ser, mas que ainda não se esforçaram por conhecer. É, portanto, um fantasma. 
Tem um daqueles cursos superiores, engenheiro de potes ou de qualquer outra coisa que não tem realmente interesse factual para a sociedade, que do seu alto intelectual de um metro e oitenta lhe confere a autoridade moral de julgar quem passa, e como tal obviar a sua superioridade exemplar perante a rés que calcorreia as avenidas da sua metrópole.
Felismino é um não ser, tanto quanto a premissa "cogito ergo sum" o deixa ser.


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10 de maio de 2011

Old Model

Sei lá qual é o título do post... AKA Homem a pensar alto interrompido à porta de casa

Escreve a pena os dedos que manuseiam
Palavras que nada servem, papeis que receiam
Conceitos abstractos, os quais se questionam
Se na existência que lhes dão funcionam?
Porque escrevo eu, se quem quer ler não me quer
E se quem eu quero não me lê?

Palavras são como imagens em movimento
Em moléculas de filme são só um fragmento
São frases de átomos indivisíveis na sua essência
Sujas no âmago da sua transparência.
Porque vejo eu, se quem me quer ver não me quer
E se quem eu quero não me vê?

Desdenha a caneta linhas em traço permanente
Continuas na sua interpretação do presente.
Revelam oníricas vinhetas ao quadrado
Ou um qualquer projecto inacabado.
Porque falo eu, se quem me quer ouvir não me quer
E se quem eu quero ouvir nada tem para me dizer?


E o que interessa isto tudo?
Nada... Portanto... Ah bom, até que pode ter algum interesse. Será que tem? Não, realmente não tem... E então porque escreves? Hum... Boa pergunta... Só por que sim... Ah bom, então. Ok, ok, ok... E que tal vai a vida então? Andando... Ah bom. E tu? Também. Porreiro! Moras aqui agora? Sim, sim... Já neste prédio. Que porreiro! Ficas mesmo no centro... Sim, dá jeito. Porreiro... Bem, tenho de ir. Ok! Bom jantar então... Até à vista. Abraço. Fica bem...

9 de maio de 2011

8 de maio de 2011

3 de maio de 2011

1 de maio de 2011

And Now for something completely different!

"There was two peanuts walking down the strasse
One was a...saulted... peanut..."

in"Monty Python - The killer joke"

Funny demotivational posters I found on-line





Ainda bem que há dias assim...

Não descrevo o indescritível
A ínfima esperança que se levanta
Um sorriso impenetrável
Um sonho que se acrescenta
Fosforescência lenta
Imagens mil, o inescrutável
Um lençol branco qual manta
Felicidade irreprimível
Tão vazia na sua essência
Como agradável na sua existência
Cobre-me sem saber porquê.
A indiferença de caminhar,
independente e sem soçobrar,
Na multidão que flutua
Descoberta e nua,
Há dias assim...

Don Camilo e Peppone





Baseado nos livros e novelas de D. Camilo por Giovanninno Guareschi.